Domingo da Sexagésima

Domingo da Sexagésima

Intróito (Sl. 43, 23-26 — ib. 2)
Acordai, Senhor, por que dormis? Levantai-Vos, não nos rejeiteis para sempre. Por que desviais a vossa face da nossa angústia? Nosso corpo adere à terra. Levantai-Vos, Senhor, socorrei-nos e salvai-nos. Ps. Ó Deus, com os nossos ouvidos, ouvimos; nossos pais no-lo contaram. ℣ Glória ao Padre.

Oração
Ó Deus, que vedes que não confiamos absolutamente em nossos méritos, concedei, benigno, que contra todas as adversidades sejamos protegidos pela proteção do Doutor das gentes. Por N. S.

Epístola (2 Cor. 11, 19-33 e 12, 1-9)
Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Coríntios.
Irmãos: De bom ânimo suportais os insensatos, sendo vós, sábios. Pois tolerais que vos ponham em escravidão, que vos devorem, que vos explorem, que se apoderem de vossos bens, que vos tratem com arrogância, que vos batam no rosto. Envergonho-me: neste ponto, tenho sido fraco. Em qualquer coisa, porém, que alguém se atreva (falo como insensato), também eu me atrevo. São hebreus? Também eu. São descendentes de Abraão? Também eu. São ministros de Cristo? (como digo, em menos sábio falo), mas o sou eu: muito mais pelos trabalhos, pelas prisões muitíssimo mais, pelos açoites sem conta, em perigos de morte frequentemente. Dos judeus recebi cinco vezes quarenta açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas; uma vez fui apedrejado; três vezes naufraguei; uma noite e um dia estive no fundo do mar. Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de ladrões; em perigos da parte dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos; em trabalho e fadiga, em muitas vigílias, na fome e na sede, em jejuns muitos, no frio e na nudez. Além destas coisas, que são exteriores, a minha preocupação cotidiana, o cuidado de todas as Igrejas. Quem está enfermo que eu não fique enfermo? Quem é escandalizado, que eu não me abrase? Se convém gloriar-se, gloriar-me-ei então da minha fraqueza. O Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é bendito nos séculos, sabe que não minto. Em Damasco, sabe que o preposto do rei Aretas guardava a cidade dos damascenos para me prender, mas num cesto me desceram por uma janela, da muralha abaixo, e assim escapei de suas mãos. Se convém gloriar-se (certamente não convém), virei agora às visões e revelações do Senhor. Conheço um homem em Cristo, [Paulo] que, há quatorze anos (se no corpo ou fora do corpo, não sei, mas Deus o sabe), foi arrebatado até o terceiro céu. E sei a respeito desse homem (se no corpo ou fora do corpo, não sei, mas Deus o sabe) que foi arrebatado ao paraíso, e ouviu palavras inefáveis que ao homem não é permitido proferir. Nisto é que me gloriarei, mas de mim mesmo não me gloriarei, a não ser nas minhas fraquezas. Verdade é que, se me quisesse gloriar, não seria insensato, porque diria a verdade; abstenho-me, no entanto, para que ninguém me estime acima do que vê em mim ou de mim ouve. E para que não me ensoberbecesse a grandeza das revelações, foi-me dado o estímulo de minha carne [provavelmente doenças físicas], qual anjo de satanás que me esbofeteie. Por causa dele roguei ao Senhor três vezes que de mim o desviasse. E Ele me disse: Basta-te a minha graça, porque a força [de Deus] se manifesta de modo mais completo na fraqueza [humana]. Portanto, de bom grado me gloriarei em minhas fraquezas, para que habite em mim a força do Cristo.

Gradual (Sl. 82, 19 e 14)
Saibam os povos que o vosso Nome é Deus; somente Vós sois o Altíssimo sobre toda a terra. ℣ Meu Deus, fazei-os semelhantes à folhagem e à palha que o vento leva.

Tractus (Sl. 59, 4 e 6)
Vós, Senhor, abalastes a terra e a fizestes estremecer. ℣ Fechai suas fendas, porque está a desmoronar. ℣ Para que escapem às flechas vingadoras; para que vossos eleitos sejam livres.

Evangelho (Lc. 8, 4-15)
Sequência do Santo Evangelho segundo Lucas.
Naquele tempo, tendo-se reunido muito povo, e como os habitantes de várias cidades tivessem ido a Jesus, propôs-lhes esta parábola: Saiu o semeador a semear sua semente; e ao semeá-la, parte caiu junto ao caminho e foi pisada, e as aves do céu a comeram. Outra parte caiu sobre a pedra, e quando nasceu, secou logo, por não haver umidade. Outra parte caiu entre os espinhos, e os espinhos, nascendo com ela, a sufocaram. E outra parte caiu em boa terra, e depois de nascer, deu fruto, cem por um. Dito isto, clamou: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. Seus discípulos perguntaram-Lhe, pois, que significava essa parábola. E Ele lhes respondeu: A vós é dado conhecer o Mistério do Reino de Deus, porém aos outros se fala em parábolas, para que, olhando, não vejam, e ouvindo, não entendam. Este é, pois, o sentido da parábola: A semente é a palavra de Deus. Os que estão ao longo do caminho, são os que a ouvem, mas vindo depois o diabo, tira-lhes a palavra do coração, para que se não salvem, crendo nela. Os de sobre a pedra, são os que recebem com gosto a palavra, quando a ouvirem; porém estes não têm raízes; até certo tempo crêem, mas no tempo da tentação, desviam-se. A que caiu entre os espinhos: são estes os que ouviram, porém indo, afogam-se com cuidados, riquezas e deleites da vida, e não dão fruto. E a que caiu em boa terra: são os que, ouvindo a palavra, guardam-na com o coração bom e perfeito e dão fruto na paciência.

Ofertório (Sl. 16, 5 e 6-7)
Firmai os meus passos em vossas veredas, para que meus pés não vacilem; inclinai para mim os vossos ouvidos, ouvi as minhas palavras.

Secreta
Fazei, Senhor, que o Sacrifício que Vos oferecemos sempre nos vivifique e fortaleça. Por N. S.

Comunhão (Sl. 42, 4)
Eu venho ao altar de Deus, ao Deus que alegra a minha juventude.

Pós-comunhão
Humildemente Vos rogamos, ó Deus onipotente, concedei-Vos que, recebendo com santos costumes os que alimentais com vossos Sacramentos. Por N. S.

Extraído do Missal Quotidiano de Dom Beda Keckeisen, O.S.B., publicado em 1947